
A contabilidade é uma ciência que deve refletir todas as transações de uma entidade (em-presa), de forma a ser possível apurar o seu resultado de um determinado período, bem co-mo identificar em qualquer momento qual é o valor dos bens e direitos da empresa e de suas obrigações. Dessa forma, a contabilidade não só registra fatos, mas controla os negó-cios, e informa a todo momento quais os bens que a empresa tem, quando foram adquiridos, por quanto tempo já foram usados, ou informa quanto a entidade deve ao fornecedor fulano de tal, quais as remessas de mercadorias que foram feitas, o vencimento de cada nota fiscal etc. etc. Portanto, contabilidade é fonte de informação, é o local aonde deveremos dirigir-nos sempre para obter dados para o orçamento anual, é de onde saem as informações para o fluxo de caixa, e assim por diante.
Mas a contabilidade, em sua tarefa de registrar e de ser fonte de informação, precisa trazer no seu bojo a figura do bom senso. Isto quer dizer que a contabilidade precisa ser dinâmica, ser flexível e se adaptar às mais diversas condições. Mas essa aceitação não pode ser algo cego. Todavia, a contabilidade simplesmente não pode aceitar mudanças, simplesmente pelo fato de que essas mudanças vem de fulano ou de beltrano. Mudanças precisam ser discutidas para serem acatadas.
Se não vejamos um exemplo: Com a inflação muito alta, o reconhecimento da correção monetária como um item de receita e de despesa resultante da correção do balanço passou a ser um princípio contábil geralmente aceito pela comunidade empresarial e pelos contadores. E essa correção monetária foi reconhecida na contabilidade por mais de trinta anos, seja pelo caminho quando se corrigia apenas o ativo imobilizado, seja apenas pela correção monetária do capital de giro, ou pela correção monetária das contas do ativo permanente e do patrimônio líquido. Até então finalmente passar pela correção integral de todas as con-tas do balanço, trazendo todas elas a valor presente, inclusive o resultado. Agora, com a inflação em baixa, a contabilidade, no seu papel de reconhecer a mudança dos tempos, pelo bom senso deixou de reconhecer essa inflação que se tornou tão pequena que não mais fazia sentido. Ou seja, os princípios contábeis mudam com os tempos e a eles se adaptam. Portanto, em seu papel dinâmico, a contabilidade é mutável, conforme muda a economia.
Nesse papel também de bom senso, a contabilidade reconhece mutações econômicas decor-rentes de valorização ou desvalorização de atividades econômicas. Exemplo disso no Brasil é a mudança ocorrida no mercado de imóveis. Até há algum tempo atrás, investíamos nossas sobras de caixa, nós pessoas físicas e jurídicas, em imóveis. Os imóveis eram de fato, economicamente falando, tratados como reservas de valor. Isto quer dizer, era caixa, e trazia a rentabilidade de boas aplicações. Agora, com a estabilização da moeda, os imóveis perderam esse atributo de ser reserva de valor e passaram a ser tratados como mercadoria. E os seus preços caíram assustadoramente. A contabilidade então passou a reconhecer esse efeito mediante uma desvalorização (perda), para trazer o seu valor àquele de mercado.
Fazendo todo esse trajeto para ser dinâmica, a contabilidade cumpre o seu papel de ser fon-te de informação, de registrar todas as mutações da empresa utilizando-se do bom senso, sendo flexível e ajustando-se às influências mais diversas.
E nós, contadores, precisamos estar no ápice para antecedermos a todas essas situações e mudanças, de forma que a contabilidade de fato cumpra o seu papel.

0 comentários:
Postar um comentário