Quanto vale sua empresa?


Determinar qual o valor de uma empresa é algo complexo e difícil, mas não impossível. Quanto vale, por exemplo, a Petrobrás e todo o seu complexo de empresas controladas e coligadas dos mais variados ramos? Pergunta simples e direta, porém cuja resposta não é tão simples o quanto parece à primeira vista. Quanto vale uma rede de supermercados, por exemplo, o Carrefour? Ou quanto vale uma lanchonete na Praça Sete, por exemplo? Ou quanto vale o Conglomerado BEMGE que agora está por ser privatizado?

Todas essas perguntas levam o leitor a pensar como é possível calcular o valor de um ne-gócio desses? Teoricamente, cada “negócio” vale, em princípio, o montante do patrimônio líquido apurado pelo balanço da empresa ajustado pelos ativos e passivos a valor presente acrescido da mais ou menos valia dos estoques e do imobilizado, mais ainda o valor do ativo intangível que não está contabilizado que é o fundo de comércio, deduzido das contingências certas e um percentual das contingências prováveis. Esse seria então o valor teórico da empresa, à vista. A prazo, esse valor seria então acrescido dos juros de uma aplicação financeira.

Essa é uma forma simplista de calcular o valor de um negócio, mas é um critério utilizado quando não se tem história do negócio ou orçamentos projetados de anos futuros com forte margem de certeza. Mas existe uma outra forma mais técnica de calcular o valor de uma empresa. Trata-se da sistemática de fluxo de caixa descontado. Com base neste critério, a empresa vale o montante que ela pode gerar de lucros futuros, que seriam descontados a valor presente. Em outras palavras, o valor da empresa seria determinado com base no fluxo de caixa futuro (a soma das sobras futuras de caixa) que a empresa irá gerar, descontado a valor presente. Assim sendo, na conformidade com esse raciocínio, o montante do fluxo de caixa futuro será igual à diferença entre os ativos e passivos que a empresa tem hoje, que seriam acrescidos ou ajustados pelo valor presente dos lucros futuros acrescidos das depre-ciações e amortizações que não representam desembolso de caixa, e deduzidos das saídas de caixa. Nessa sistemática de avaliação da empresa com base no fluxo de caixa, o imobili-zado e o diferido não seriam considerados nos saldos iniciais, porque a sua geração seria anualmente considerada pelo acréscimo ao resultado da amortização do diferido e da de-preciação do imobilizado.

Os fluxos de caixa anuais assim encontrados seriam então trazidos a valor presente, e ter-se-ia então o valor do negócio à vista. Assim, ao se projetar o valor dos lucros futuros, estaria então sendo levado em consideração todo o esforço de vendas e de redução de custos, a política de negócios, de marketing, a eficiência do pessoal de vendas, ou do gerente finan-ceiro para aplicar os recursos disponíveis, ou do engenheiro de produção. O valor do fundo de comércio seria então levado nessa consideração para gerar lucros, eis porque não seria pago nada de adicional por esse fundo, em virtude de o seu benefício já estar sendo consi-derado nos lucros anuais. Todo esse esforço estaria então sendo considerado como parte dos lucros futuros. Portanto, o valor do goodwill representado pela marca, pelo fundo de comércio, pela qualidade da gerência, ou pela carteira de clientes, tudo isso já estaria sendo considerado como parte do lucro futuro. Assim, neste critério de avaliação não há que se falar em valor de mercado do imobilizado, ou em valor da carta-patente. Tudo isto já estará refletido nos lucros futuros projetados. Nessas condições, qualquer negócio só tem valor se ele puder gerar resultados. De nada adianta escritório bonito ou fábrica modelo, se isso tudo não gerar lucros. Sob a ótica do investidor, como negócio, nada vale.

Um aspecto importante a se considerar também na avaliação do fluxo de caixa é o percen-tual a ser adotado para se estabelecer o desconto a ser reduzido dos lucros futuros. Para concluirmos sobre esse assunto, vamos pensar do ponto de vista do investidor. Se um in-vestidor tem uma determinada quantia para investir, e teoricamente não quer correr risco, ele então irá aplicá-la em um fundo que lhe garanta por exemplo um retorno pelo menos igual ao CDI, hoje em torno de 20%. Neste tipo de investimento, o investidor teria o único esforço e risco de dar um telefonema para o gerente de sua conta e lhe solicitar para fazer a aplicação do seu dinheiro. Agora, se o investidor quer correr algum risco, ele então precisa-ria de uma remuneração adicional, além desses 20%. E de quanto seria então esse per-centual adicional que ele teria para correr risco. Nas circunstâncias atuais, poderíamos falar em algo em torno de um rendimento adicional de 10%. Portanto, o valor do desconto a ser aplicado aos lucros futuros seria de 30% ao ano. Essa taxa seria aplicada até atingir a per-petuidade.

Normalmente, o consultor, ao ser contratado para calcular o valor de um negócio, estabele-ce inicialmente com o seu cliente, que geralmente é o comprador, o critério de avaliação a ser adotado. Definido esse critério, que geralmente é o do fluxo de caixa descontado, o consultor e o auditor, que trabalham em conjunto nessas avaliações, adotam vários proce-dimentos de avaliação e de auditoria. Um procedimento, por exemplo, seria a revisão de como a empresa chegou a cada um dos valores do seu orçamento de caixa para os próxi-mos dez anos. Ainda, para confirmar essa tendência futura, é feita uma auditoria dos últi-mos três anos para se ter certeza de que os valores informados pela contabilidade nesse período estariam corretos. Nesse trabalho de auditoria do passado, são obtidas inúmeras informações para que o avaliador possa também confirmar as projeções futuras. Outros aspectos que o trabalho de auditoria e avaliação levam em consideração se relacionam com as contingências ativas e passivas, principalmente estas últimas que reduzem o preço de partida. Quando se faz essa auditoria do passado, o auditor procura se certificar também de que os saldos atuais, que serão os saldos iniciais do fluxo de caixa ao qual será somado o valor dos fluxos futuros, são corretos. Da mesma forma que o fluxo de caixa futuro, esses saldos iniciais serão trazidos a valor presente, utilizando-se por exemplo a sistemática adotada para a contabilidade pela correção integral.

O consultor procura também se certificar das projeções da empresa utilizando-se de infor-mações externas, de terceiros. Uma fonte importante, por exemplo, é a tendência da histó-ria das empresas concorrentes, e como essas empresas estão vendo o futuro. Outra fonte externa importante também é o setor que a empresa opera. Ou também os órgãos de clas-se ou o governo, ou as empresas congêneres do exterior. Considerar também a tendência de mercado é algo muito importante. Por exemplo, avaliar o preço de uma empresa fabri-cante de aparelhos de fax de mesa é algo impossível, pois essas empresas já estão entran-do em decadência, já que o fax de mesa está sendo substituído pelo fax via computador ou pela própria internet. É a mesma coisa de um fabricante de aparelhos de telex ou de máqui-nas de escrever: são máquinas recentes, mas que já viraram museu.

Toda essa pesquisa tem por objetivo permitir ao consultor formar uma opinião sobre o negó-cio e sobre as suas perspectivas futuras, cujo único objetivo é o de confirmar as cifras que foram projetadas no fluxo de caixa. Aliás, esse fluxo de caixa é que será a base para deter-minar o valor da empresa para fins de negócio entre comprador e vendedor.

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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Quanto vale sua empresa?


Determinar qual o valor de uma empresa é algo complexo e difícil, mas não impossível. Quanto vale, por exemplo, a Petrobrás e todo o seu complexo de empresas controladas e coligadas dos mais variados ramos? Pergunta simples e direta, porém cuja resposta não é tão simples o quanto parece à primeira vista. Quanto vale uma rede de supermercados, por exemplo, o Carrefour? Ou quanto vale uma lanchonete na Praça Sete, por exemplo? Ou quanto vale o Conglomerado BEMGE que agora está por ser privatizado?

Todas essas perguntas levam o leitor a pensar como é possível calcular o valor de um ne-gócio desses? Teoricamente, cada “negócio” vale, em princípio, o montante do patrimônio líquido apurado pelo balanço da empresa ajustado pelos ativos e passivos a valor presente acrescido da mais ou menos valia dos estoques e do imobilizado, mais ainda o valor do ativo intangível que não está contabilizado que é o fundo de comércio, deduzido das contingências certas e um percentual das contingências prováveis. Esse seria então o valor teórico da empresa, à vista. A prazo, esse valor seria então acrescido dos juros de uma aplicação financeira.

Essa é uma forma simplista de calcular o valor de um negócio, mas é um critério utilizado quando não se tem história do negócio ou orçamentos projetados de anos futuros com forte margem de certeza. Mas existe uma outra forma mais técnica de calcular o valor de uma empresa. Trata-se da sistemática de fluxo de caixa descontado. Com base neste critério, a empresa vale o montante que ela pode gerar de lucros futuros, que seriam descontados a valor presente. Em outras palavras, o valor da empresa seria determinado com base no fluxo de caixa futuro (a soma das sobras futuras de caixa) que a empresa irá gerar, descontado a valor presente. Assim sendo, na conformidade com esse raciocínio, o montante do fluxo de caixa futuro será igual à diferença entre os ativos e passivos que a empresa tem hoje, que seriam acrescidos ou ajustados pelo valor presente dos lucros futuros acrescidos das depre-ciações e amortizações que não representam desembolso de caixa, e deduzidos das saídas de caixa. Nessa sistemática de avaliação da empresa com base no fluxo de caixa, o imobili-zado e o diferido não seriam considerados nos saldos iniciais, porque a sua geração seria anualmente considerada pelo acréscimo ao resultado da amortização do diferido e da de-preciação do imobilizado.

Os fluxos de caixa anuais assim encontrados seriam então trazidos a valor presente, e ter-se-ia então o valor do negócio à vista. Assim, ao se projetar o valor dos lucros futuros, estaria então sendo levado em consideração todo o esforço de vendas e de redução de custos, a política de negócios, de marketing, a eficiência do pessoal de vendas, ou do gerente finan-ceiro para aplicar os recursos disponíveis, ou do engenheiro de produção. O valor do fundo de comércio seria então levado nessa consideração para gerar lucros, eis porque não seria pago nada de adicional por esse fundo, em virtude de o seu benefício já estar sendo consi-derado nos lucros anuais. Todo esse esforço estaria então sendo considerado como parte dos lucros futuros. Portanto, o valor do goodwill representado pela marca, pelo fundo de comércio, pela qualidade da gerência, ou pela carteira de clientes, tudo isso já estaria sendo considerado como parte do lucro futuro. Assim, neste critério de avaliação não há que se falar em valor de mercado do imobilizado, ou em valor da carta-patente. Tudo isto já estará refletido nos lucros futuros projetados. Nessas condições, qualquer negócio só tem valor se ele puder gerar resultados. De nada adianta escritório bonito ou fábrica modelo, se isso tudo não gerar lucros. Sob a ótica do investidor, como negócio, nada vale.

Um aspecto importante a se considerar também na avaliação do fluxo de caixa é o percen-tual a ser adotado para se estabelecer o desconto a ser reduzido dos lucros futuros. Para concluirmos sobre esse assunto, vamos pensar do ponto de vista do investidor. Se um in-vestidor tem uma determinada quantia para investir, e teoricamente não quer correr risco, ele então irá aplicá-la em um fundo que lhe garanta por exemplo um retorno pelo menos igual ao CDI, hoje em torno de 20%. Neste tipo de investimento, o investidor teria o único esforço e risco de dar um telefonema para o gerente de sua conta e lhe solicitar para fazer a aplicação do seu dinheiro. Agora, se o investidor quer correr algum risco, ele então precisa-ria de uma remuneração adicional, além desses 20%. E de quanto seria então esse per-centual adicional que ele teria para correr risco. Nas circunstâncias atuais, poderíamos falar em algo em torno de um rendimento adicional de 10%. Portanto, o valor do desconto a ser aplicado aos lucros futuros seria de 30% ao ano. Essa taxa seria aplicada até atingir a per-petuidade.

Normalmente, o consultor, ao ser contratado para calcular o valor de um negócio, estabele-ce inicialmente com o seu cliente, que geralmente é o comprador, o critério de avaliação a ser adotado. Definido esse critério, que geralmente é o do fluxo de caixa descontado, o consultor e o auditor, que trabalham em conjunto nessas avaliações, adotam vários proce-dimentos de avaliação e de auditoria. Um procedimento, por exemplo, seria a revisão de como a empresa chegou a cada um dos valores do seu orçamento de caixa para os próxi-mos dez anos. Ainda, para confirmar essa tendência futura, é feita uma auditoria dos últi-mos três anos para se ter certeza de que os valores informados pela contabilidade nesse período estariam corretos. Nesse trabalho de auditoria do passado, são obtidas inúmeras informações para que o avaliador possa também confirmar as projeções futuras. Outros aspectos que o trabalho de auditoria e avaliação levam em consideração se relacionam com as contingências ativas e passivas, principalmente estas últimas que reduzem o preço de partida. Quando se faz essa auditoria do passado, o auditor procura se certificar também de que os saldos atuais, que serão os saldos iniciais do fluxo de caixa ao qual será somado o valor dos fluxos futuros, são corretos. Da mesma forma que o fluxo de caixa futuro, esses saldos iniciais serão trazidos a valor presente, utilizando-se por exemplo a sistemática adotada para a contabilidade pela correção integral.

O consultor procura também se certificar das projeções da empresa utilizando-se de infor-mações externas, de terceiros. Uma fonte importante, por exemplo, é a tendência da histó-ria das empresas concorrentes, e como essas empresas estão vendo o futuro. Outra fonte externa importante também é o setor que a empresa opera. Ou também os órgãos de clas-se ou o governo, ou as empresas congêneres do exterior. Considerar também a tendência de mercado é algo muito importante. Por exemplo, avaliar o preço de uma empresa fabri-cante de aparelhos de fax de mesa é algo impossível, pois essas empresas já estão entran-do em decadência, já que o fax de mesa está sendo substituído pelo fax via computador ou pela própria internet. É a mesma coisa de um fabricante de aparelhos de telex ou de máqui-nas de escrever: são máquinas recentes, mas que já viraram museu.

Toda essa pesquisa tem por objetivo permitir ao consultor formar uma opinião sobre o negó-cio e sobre as suas perspectivas futuras, cujo único objetivo é o de confirmar as cifras que foram projetadas no fluxo de caixa. Aliás, esse fluxo de caixa é que será a base para deter-minar o valor da empresa para fins de negócio entre comprador e vendedor.

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