Valorização profissional


No dia-a-dia de nossa vida profissional de auditor e consultor, você tem contactos com as mais diferentes pessoas do ramo empresarial e a conversa gira, além dos assuntos profissionais como é natural, em torno de amenidades, o que torna a profissão ainda mais interessante. Na semana passada, um empresário falando sobre como cada um deveria valorizar o seu negócio, contou o seguinte causo: Tinha um fazendeiro que aplicou a tecnologia na sua fazenda, e os seus negócios iam muito bem, apesar da crise que todo mundo vinha passando. Certo dia, um fazendeiro vizinho seu, cujo negócio não ia bem, chegou em sua fazenda e lhe perguntou: Olha, Fulano, como vão as coisas? Ora – respondeu ele – muito bem. Depois que eu comprei esse cavalo, o meu negócio vai muito bem. Ele só me tem dado sorte, aliás muita sorte. Esse cavalo é o meu guia ... É o meu ídolo. E o vizinho olhou e viu então o cavalo. De fato, era um cavalo muito bonito, de aparência vistosa, elegante na forma de ser e de andar e de marchar. Dias depois, chegou um outro vizinho e, então, a história se repetia. E foi-se repetindo daí para frente. E todos os vizinhos estavam entusiasmados com o cavalo. Até que um dia, um deles, acreditando que o cavalo realmente era o enigma da sorte daquele fazendeiro, lhe perguntou: Você não vende este cavalo? E ele então respondeu: Não, só se for por muito dinheiro. E o vizinho foi embora. Acontece que esse vizinho, então entusiasmado com o cavalo, vendeu um apartamento na cidade e, então, procurou o fazendeiro: Quanto é que você quer no cavalo? Ah, eu não vendo. Olha, eu vendi um apartamento e quero comprar esse cavalo. Eu dou trezentos mil dólares pelo seu cavalo. O fazendeiro pensou, pensou e disse: Bom, por esse preço, eu fico triste, mas eu vendo o meu cavalo. E então negócio fechado. E o fazendeiro levou o cavalo...

Meses depois, ele voltou até a fazenda do antigo dono do cavalo e então lhe disse: Olha, eu levei o cavalo, estou tratando dele com ração importada, da melhor qualidade, muito cara. Ele está bonito, está gordo, vistoso ... Mas os meus negócios não melhoraram. Aquele cavalo não presta!!! O fazendeiro então disse: Olha, se você não acreditar que o seu cavalo é bom, e mudar a tecnologia do seu negócio, ninguém vai te pagar dinheiro algum por ele. Você tem que valorizar o que é seu, se não fizer isso, quem o faria? Diz para todo mundo que o seu cavalo é bom, aprimore a sua tecnologia, e invista no seu negócio. Se você não acreditar que o seu cavalo é bom, você quer que o seu vizinho acredite?

Meus caros colegas de profissão: A história é simples, mas ela se aplica à maioria de nós. Muitos de nós não acreditamos que temos um bom cavalo. Achamos que o nosso serviço não vale o que estamos cobrando, desmerecemos o nosso mérito cobrando barato pelos serviços que prestamos. E assim aviltamos o preço de nossos serviços e, por consequência, alvitamos os serviços de toda uma classe, prejudicando a todos.

Os honorários profissionais devem ser estabelecidos não só em função do tempo que gastamos na sua execução, mas também em função do benefício que o cliente terá. Porque, por exemplo, muitas vezes um médico faz uma cirurgia de uma hora e cobra cinco mil reais? Porque o mesmo não acontece conosco. Porque, simplesmente porque, não acreditamos no nosso cavalo.

Dizem as regras de nossa profissão (a Resolução 803/96), cujos autores muito bem acreditavam no seu cavalo:
“Do valor dos serviços profissionais
Art 6º - O Contabilista deve fixar previamente o valor dos serviços, de preferência por contrato escrito, considerados os elementos seguintes:
I - a relevância, o vulto, a complexidade e a dificuldade do serviço a executar;
II - o tempo que será consumido para a realização do trabalho;
III - a possibilidade de ficar impedido da realização de outros serviços;
IV - o resultado lícito favorável que, para o contratante, advirá com o serviço prestado;
V - a peculiaridade de tratar-se de cliente eventual, habitual ou permanente;
VI - o local em que o serviço será prestado.”

Portanto, todos nós, contadores, deveremos acreditar em nosso cavalo e valorizá-lo. Se nós não o fizermos, quem o faria por nós? Precisamos valorizar a nossa profissão, o nosso cavalo. Assim, deveremos cobrar um preço justo para fazer a contabilidade de uma empresa, ou para responder uma consulta do cliente seja ela contábil ou fiscal ou de outra natureza, ou para fazer uma auditoria, ou uma perícia. Deveremos cobrar também pela nossa responsabilidade que é envolvida no assunto. Ou às vezes também deveremos cobrar pelo risco de associar o nosso nome com determinado cliente. E deveremos cobrar um preço, não somente levando em consideração o tempo gasto, mas também o benefício que o cliente terá com a solução que lhe dermos para o seu problema. E porque não? Quando você encontra um médico “seu amigo” e lhe consulta, ele normalmente pede a você para marcar uma consulta em seu escritório para “estudar e examinar melhor o assunto”. E então ele lhe cobra a consulta. Com o advogado é a mesma coisa. Porque conosco, contadores, tem que ser diferente? Porque o médico valoriza o seu cavalo, o advogado faz o mesmo, e porque nós, contadores, não o fazemos? O preço do cavalo depende de nós acreditarmos no quanto ele vale e então cobrarmos. Portanto, caros colegas, vamos valorizar a nossa profissão, o nosso trabalho, e o nosso cavalo. Se nós não o fizermos, quem o faria por nós? A resposta é simples: Ninguém.

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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Valorização profissional


No dia-a-dia de nossa vida profissional de auditor e consultor, você tem contactos com as mais diferentes pessoas do ramo empresarial e a conversa gira, além dos assuntos profissionais como é natural, em torno de amenidades, o que torna a profissão ainda mais interessante. Na semana passada, um empresário falando sobre como cada um deveria valorizar o seu negócio, contou o seguinte causo: Tinha um fazendeiro que aplicou a tecnologia na sua fazenda, e os seus negócios iam muito bem, apesar da crise que todo mundo vinha passando. Certo dia, um fazendeiro vizinho seu, cujo negócio não ia bem, chegou em sua fazenda e lhe perguntou: Olha, Fulano, como vão as coisas? Ora – respondeu ele – muito bem. Depois que eu comprei esse cavalo, o meu negócio vai muito bem. Ele só me tem dado sorte, aliás muita sorte. Esse cavalo é o meu guia ... É o meu ídolo. E o vizinho olhou e viu então o cavalo. De fato, era um cavalo muito bonito, de aparência vistosa, elegante na forma de ser e de andar e de marchar. Dias depois, chegou um outro vizinho e, então, a história se repetia. E foi-se repetindo daí para frente. E todos os vizinhos estavam entusiasmados com o cavalo. Até que um dia, um deles, acreditando que o cavalo realmente era o enigma da sorte daquele fazendeiro, lhe perguntou: Você não vende este cavalo? E ele então respondeu: Não, só se for por muito dinheiro. E o vizinho foi embora. Acontece que esse vizinho, então entusiasmado com o cavalo, vendeu um apartamento na cidade e, então, procurou o fazendeiro: Quanto é que você quer no cavalo? Ah, eu não vendo. Olha, eu vendi um apartamento e quero comprar esse cavalo. Eu dou trezentos mil dólares pelo seu cavalo. O fazendeiro pensou, pensou e disse: Bom, por esse preço, eu fico triste, mas eu vendo o meu cavalo. E então negócio fechado. E o fazendeiro levou o cavalo...

Meses depois, ele voltou até a fazenda do antigo dono do cavalo e então lhe disse: Olha, eu levei o cavalo, estou tratando dele com ração importada, da melhor qualidade, muito cara. Ele está bonito, está gordo, vistoso ... Mas os meus negócios não melhoraram. Aquele cavalo não presta!!! O fazendeiro então disse: Olha, se você não acreditar que o seu cavalo é bom, e mudar a tecnologia do seu negócio, ninguém vai te pagar dinheiro algum por ele. Você tem que valorizar o que é seu, se não fizer isso, quem o faria? Diz para todo mundo que o seu cavalo é bom, aprimore a sua tecnologia, e invista no seu negócio. Se você não acreditar que o seu cavalo é bom, você quer que o seu vizinho acredite?

Meus caros colegas de profissão: A história é simples, mas ela se aplica à maioria de nós. Muitos de nós não acreditamos que temos um bom cavalo. Achamos que o nosso serviço não vale o que estamos cobrando, desmerecemos o nosso mérito cobrando barato pelos serviços que prestamos. E assim aviltamos o preço de nossos serviços e, por consequência, alvitamos os serviços de toda uma classe, prejudicando a todos.

Os honorários profissionais devem ser estabelecidos não só em função do tempo que gastamos na sua execução, mas também em função do benefício que o cliente terá. Porque, por exemplo, muitas vezes um médico faz uma cirurgia de uma hora e cobra cinco mil reais? Porque o mesmo não acontece conosco. Porque, simplesmente porque, não acreditamos no nosso cavalo.

Dizem as regras de nossa profissão (a Resolução 803/96), cujos autores muito bem acreditavam no seu cavalo:
“Do valor dos serviços profissionais
Art 6º - O Contabilista deve fixar previamente o valor dos serviços, de preferência por contrato escrito, considerados os elementos seguintes:
I - a relevância, o vulto, a complexidade e a dificuldade do serviço a executar;
II - o tempo que será consumido para a realização do trabalho;
III - a possibilidade de ficar impedido da realização de outros serviços;
IV - o resultado lícito favorável que, para o contratante, advirá com o serviço prestado;
V - a peculiaridade de tratar-se de cliente eventual, habitual ou permanente;
VI - o local em que o serviço será prestado.”

Portanto, todos nós, contadores, deveremos acreditar em nosso cavalo e valorizá-lo. Se nós não o fizermos, quem o faria por nós? Precisamos valorizar a nossa profissão, o nosso cavalo. Assim, deveremos cobrar um preço justo para fazer a contabilidade de uma empresa, ou para responder uma consulta do cliente seja ela contábil ou fiscal ou de outra natureza, ou para fazer uma auditoria, ou uma perícia. Deveremos cobrar também pela nossa responsabilidade que é envolvida no assunto. Ou às vezes também deveremos cobrar pelo risco de associar o nosso nome com determinado cliente. E deveremos cobrar um preço, não somente levando em consideração o tempo gasto, mas também o benefício que o cliente terá com a solução que lhe dermos para o seu problema. E porque não? Quando você encontra um médico “seu amigo” e lhe consulta, ele normalmente pede a você para marcar uma consulta em seu escritório para “estudar e examinar melhor o assunto”. E então ele lhe cobra a consulta. Com o advogado é a mesma coisa. Porque conosco, contadores, tem que ser diferente? Porque o médico valoriza o seu cavalo, o advogado faz o mesmo, e porque nós, contadores, não o fazemos? O preço do cavalo depende de nós acreditarmos no quanto ele vale e então cobrarmos. Portanto, caros colegas, vamos valorizar a nossa profissão, o nosso trabalho, e o nosso cavalo. Se nós não o fizermos, quem o faria por nós? A resposta é simples: Ninguém.

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